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 Paulo Portas revelou-se confiante com a recuperação económica de Portugal

Paulo Portas revelou-se confiante com a recuperação económica de Portugal

«O crescimento económico faz-se com as empresas e com o espírito da iniciativa privada»


«O crescimento económico faz-se com as empresas e com o espírito da iniciativa privada», afirmou Paulo Portas, vice-Primeiro-Ministro de Portugal, no encerramento da primeira noite de trabalhos da segunda edição do Fórum Empresarial do Algarve 2013 (FEA), uma iniciativa do LIDE Portugal - Grupo de Líderes Empresariais, que decorre esta sexta, sábado e domingo, dias 4, 5 e 6 de Outubro, em Vilamoura. Paulo Portas disse fazer parte do grupo de pessoas que acredita que o crescimento da economia "se faz com as empresas, e não contra as empresas", mostrando-se confiante com a recuperação económica do País.

Na sua intervenção, Paulo Portas salientou que o tema do Fórum deste ano mostra bem a recuperação que estamos a observar no País, sendo que na primeira edição a crise dominava os debates, e este ano o tema é a internacionalização, esperando que para o próximo ano o enfoque possa ser o crescimento. Sobre a questão "Um Portugal Europeu ou um Portugal Atlântico?", o Governante considera estas duas vertentes como cumulativas, relembrando que Portugal é o estado-nação com fronteiras estáveis mais antigo da Europa.

Neste âmbito, Paulo Portas acredita que são essencialmente as relações de Portugal fora da Europa que realçam o seu papel dentro da Europa. «Portugal traz à Europa a capacidade de fazer pontes fora da Europa», afirmou, relações estas que muitas vezes são difíceis para outros países. Assim, salientou, o nosso País tem procurado investimento em mercados fora da Europa, e «hoje dependemos menos dos mercados tradicionais europeus do que quando Portugal pediu o resgate», em termos de exportações.

Temos hoje uma economia mais dinâmica, mais alicerçada nas exportações, salientou o vice-Primeiro-Ministro, revelando ainda que o número de empresas criadas está claramente acima do número de empresas que fecham. Aqui assume especial importância o programa de recuperação de dívidas fiscais e contributivas criado pelo Governo, «uma oportunidade única no tempo e nas condições», que permite recuperar empresas que são viáveis.

Realçando os sinais positivos do relançamento da economia portuguesa, Paulo Portas revelou alguns desses indicadores, começando pelo encerramento das 8.ª e 9.ª avaliações que aconteceu precisamente ontem, sexta-feira, e que mostra que há sinais de que há uma viragem no ciclo económico, ténues mas consistentes. Além disso, é de realçar o crescimento positivo no segundo trimestre de 2013, o mais alto da zona euro, sendo que os indicadores apontam para um novo crescimento no terceiro trimestre. «É claramente um sinal de que os anos do chumbo da economia portuguesa estão a ficar para trás», revelou.

De uma forma ainda pouco acentuada, referiu Paulo Portas, vamos já somando meses em que os indicadores do desemprego e da criação de emprego vão seguindo uma tendência positiva, mostrando que foi possível travar o aumento do desemprego, embora a taxa continue muito alta.

Nasser Sattar, presidente do Comité de Gestão do Lide Portugal, e Luís Furlan, presidente do Lide Internacional, deram as boas vindas ao jantar e realçaram igualmente a capacidade de internacionalização das empresas portuguesas. «O tecido empresarial tem um papel a desempenhar, pelo que é preciso inovar, apostar na educação e na pesquisa», salientou Nasser Sattar, afirmando que «vamos ultrapassar esta crise e as empresas farão o seu papel para o País crescer do novo». Para isso é necessário, no entanto, que o Governo assuma igualmente as duas responsabilidades, nomeadamente a nível fiscal e a nível jurídico, por exemplo.

Nesta linha, Paulo Portas referiu que o papel do Governo é facilitar a vida às empresas, dando como exemplo a necessidade de flexibilizar a legislação laboral, de estimular a concorrência, de tornar a nossa taxa de IRC mais competitiva - o vice-Primeiro-Ministro realçou que «Portugal não é competitivo em comparação com outros países com quem concorre», - para o que afirmou ser necessário encontrar um compromisso com o principal partido da oposição para conseguir baixar o IRC de forma progressiva. «Devemos abster-nos de crispação política» e aceitar sugestões da oposição, de forma a chegar a um acordo sobre a reforma do IRC. Além disso, e para que possamos ter empresas mais competitivas e maior margem concorrencial, o governante salientou igualmente a necessidade de reduzir a burocracia como «acelerador das decisões de investimento, de forma rápida e clara».

Luiz Furlan falou da economia da saudade e da esperança, realçando as oportunidades que há em cada economia de se internacionalizar, aspeto igualmente realçado por Paulo Portas, que falou do aumento das exportações, especialmente para países fora da Europa, que já representam 40% do produto interno bruto.

Na linha da frente da economia está, entre outros setores fundamentais, o turismo, que Paulo Portas quis salientar especialmente neste Fórum Empresarial do Algarve, revelando que este foi um magnífico ano para o turismo em Portugal, um dos melhores dos últimos anos em vários aspetos: número de visitantes, gasto por turista que nos visita e rentabilidade do setor.

O turismo esteve igualmente em destaque no cocktail de boas-vindas que se realizou antes do primeiro jantar do FEA, com as intervenções de João Pena, da Rio Forte, Grupo Espírito Santo, e Fernando Pinto, presidente da TAP, que realçaram o papel do turismo como setor determinante para a economia do País, sendo igualmente o setor com mais potencial de crescimento.

No jantar, que foi temático, dedicado à gastronomia algarvia, foram atribuídos os prémios "Líderes de Portugal" by Capgemini, em quatro categorias: Governança Corporativa para o Banco Espírito Santo; Inovação e tecnologia para a Vision Box; Mercados Internacionais para a Sogrape; e Empreendedorismo para a Introsys.

A segunda edição do Fórum Empresarial do Algarve reúne mais de três centenas de participantes, entre líderes políticos e empresariais de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Alemanha, China, EUA, Reino Unido, México, Marrocos, Espanha, Grécia e Chile, para debater o tema "Um Portugal Europeu ou um Portugal Atlântico?".

Entre as personalidades convidadas destacam-se nomes do panorama político e empresarial nacional como José Manuel Durão Barroso, Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, Fernando Pinto, Luís Marques Mendes, José Maria Ricciardi e Mira Amaral; além de ilustres convidados internacionais como os governadores brasileiros dos Estados do Amazonas, Pará e Goiás, Luiz Fernando Furlan e Paulo Rabello de Castro, também do Brasil, Guillermo de La Dehesa, de Espanha, Mário Machungo, de Moçambique, e Ana Paula Godinho, de Angola.

 

O Fórum Empresarial do Algarve pretende é já um evento empresarial de referência no espaço dos países de língua portuguesa, o maior e mais ambicioso evento de altas esferas corporativas, para aproximar empresas de diferentes países e promover oportunidades de negócio, contribuindo para desenvolver as economias nacionais envolvidas. Após a primeira edição, em 2012, dedicada aos desafios da crise europeia e internacional, a organização pretende afirmar o evento como um espaço privilegiado de networking de altíssima qualidade, e uma oportunidade para a discussão de assuntos fundamentais para as economias nele representadas e para o respectivo tecido empresarial.